Edison Carneiro afirma que o folclore é parte integrante da área das ciências antropológicas, e o define como "um corpo orgânico de modos de sentir, pensar e agir peculiares às camadas populares das sociedades civilizadas". Os textos de 'Dinâmica do folclore', embora escritos há mais de 50 anos, continuam válidos como pontos básicos para discussões teóricas sobre o tema. As posições assumidas pelo autor em "O conceito do tradicional" e em "O popular no folclore", seus artigos de abertura, não foram, até hoje, ultrapassadas. Mantém-se, igualmente, a sua conclusão de que, sob a pressão da vida social, o povo renova, reinterpreta e readapta os "seus modos de sentir, pensar e agir", donde dever afirmar-se que o fenômeno folclórico se baseia tanto na "tradição" como na "inovação", pois, se permanece a sua forma, seu conteúdo se modifica e se atualiza, daí derivando o seu dinamismo.
Edison Carneiro, etnólogo, historiador e folclorista, um dos maiores estudiosos das origens e influências do negro brasileiro, foi autor de obras importantes, como O quilombo dos Palmares, Candomblés da Bahia, Ladinos e crioulos, Dinâmica do folclore, nasceu em 1912, em Salvador (BA), onde iniciou sua sólida carreira. Foi, junto com Jorge Amado, Aydano do Couto Ferraz e outros importantes colegas da "Academia dos Rebeldes", um dos grandes defensores dos candomblés, considerados até então "caso de polícia". Fixou residência em 1939 no Rio de Janeiro, onde veio a falecer em 1972. Entre muitos prêmios, recebeu o "Prêmio Machado de Assis", da Academia Brasileira de Letras. Foi um dos diretores e fundadores da "Campanha de Defesa do Folclore", atualmente Museu de Folclore Edison Carneiro, do Ministério da Cultura. Chefiou a delegação brasileira ao 1º Festival de Artes Negras, em Dacar.