Com o fim da Guerra Fria e a destruição da utopia socialista, a crítica ao capitalismo passou a tomar dois rumos principais: o primeiro, que atacava não mais sistema em si, porém sua face mais evidente, a globalização; o segundo, mais pragmático e pontual, centrado na questão ambiental, denunciando extinções, desmatamentos e poluições, e afinal ganhando densidade na questão do aquecimento global. O que fazer, afinal, se o sistema alternativo morreu, e o que sobreviveu parece levar irresponsavelmente para a catástrofe? Recomeçar do começo: pelo diagnóstico. Pois sem ele, nenhuma ação efetiva pode ser sequer esboçada. Eis o objetivo do respeitado jornalista francês (Le Monde) Hervé Kempf em Como os ricos destroem o planeta, lançado agora no Brasil após uma consagradora carreira internacional, em tradução de Bernardo Ajzenberg. Feita a denúncia, é preciso porém demonstrá-la. Como os ricos destroem o planeta? Eis o livro de Kempf. Sua hipótese de partida pode ser expressa em poucas palavras: a crise ambiental é mais grave e portanto mais urgente do que se costuma reconhecer; ela não pode ser compreendida e muito menos resolvida, sem levar em conta sua causa real: o consumismo como ideologia, e a oligarquia mundial que o impõe, defende e sustenta. Kempf, portanto, articula de forma direta e sintética a questão ambiental à questão sociopolíticoeconômica, apontando para a saída do impasse tanto do ambientalismo como do altermundialismo. Para o autor, sem a crítica social, o ambientalismo é manco; sem a urgência ambiental, o altermundialismo é cego.
Hervé Kempf é um jornalista e escritor francês nascido em 1957. Especializado primeiro em tecnologia digital, com o choque de Chernobyl, em 1986, começa a se dedicar à questão ambiental. Depois de fundar a revista Reporterre, le magazine de l'environnement em 1989, fez reportagens especiais para a TV France 2 e foi responsável pelas seções de ciências do Courrier International (1992-1995) e de tecnologia e ecologia de La Recherche (1995-1998). Entra em 1998 para o Le Monde a fim de cobrir a área ambiental, na qual é hoje uma das vozes mais atuantes. Recebeu o Prix du Livre Environnement 2009, da Maison de la Nature et de l’Environnement de l’Isère.